Para Laurindo Viera, do ponto de vista da defesa dos interesses da sociedade e do cidadão, devem ser tomadas medidas de prevenção para que este tipo de situações não ocorra e se ocorrer que seja resolvido para se evitar problemas mais graves.

Disse que, para uma pessoa que trafica alguém, chegando ao ponto de a matar para lhe serem retirados os órgãos, é evidente que esta pessoa está a cometer um crime.

Uma questão que é completamente diferente, acrescenta, é o facto de que um indivíduo pode viver só com um rim, e resolver, por exemplo, doar o outro rim a alguém que o necessita. “Acho que aqui não há problemas éticos, jurídicos nem morais”, sublinhou.

Este procedimento deve, na opinião de Laurindo Vieira, ser feito com base em políticas credíveis dentro de uma legislação que não sustenta a exploração e muito menos a má utilização desses órgãos.

A Europa, disse o sociólogo, tem incentivado este tipo de políticas no sentido de se criarem doadores que possam ceder um determinado órgão. Quanto ao tráfico humano, o sociólogo defende que esta prática criminosa pode pôr em risco a estabilidade social de um país e, se não forem criadas medidas punitivas, corre-se o risco de o país estar à mercê de traficantes, porque encontram uma situação social que lhes permita a realização desta prática. Acrescentou, por outro lado, que, se esta prática for generalizada nos diversos países, estes perdem mão-de-obra que, no futuro, poderia contribuir para o desenvolvimento do país.

Segundo ele, as famílias que perdem os seus ente-queridos acabam, infelizmente, por ocupar o seu tempo à procura dos seus familiares vítimas desta prática.

Falando concretamente do país, Laurindo Vieira aponta, como solução para banir esta prática, que já existe, apesar de ainda não estar muito desenvolvida, a educação, principalmente das crianças, que são as primeiras vítimas.

“É necessário que, nas escolas, os professores ensinem as crianças a não confiarem em adultos com os quais não estabelecem uma relação directa, o que não implica que as crianças devam desconfiar de todos”.

Acrescentou: “trata-se apenas de uma questão de vigilância. Isto passa necessariamente pela criação de políticas a nível das escolas por forma a que a criança tenha contacto com esta realidade ou fenómeno”.

Os menores, segundo o sociólogo, devem saber que existem algumas pessoas malignas que, na verdade, utilizam esta prática, quer na perspectiva comercial, quer de ritos tradicionais.

Também fez referência à formação de políticas públicas fortes, com um policiamento eficaz.
É necessário que as crianças, por exemplo, não viajem “desguarnecidas”, porque, hoje em dia,elas podem estar num aeroporto acompanhadas de um adulto e o agente de autoridade não saber a relação existente entre estas duas pessoas.

“É necessário que o adulto que viaje com uma criança seja portador da sua identificação. Se for o pai, deve fazer-se acompanhar de uma cédula pessoal, e ser for um outro parente, este deve fazer-se acompanhar de um documento que o autoriza a viajar com a criança”.

O sociólogo acredita que tais medidas podem contribuir para a diminuição do tráfico de crianças, para além de que podem ajudar a população a criar uma ideia sobre a necessidade de se manter vigilante.

Para o interlocutor, o tráfico humano “é um mal a que todos nós podemos estar sujeitos, já que podemos perder um filho que vai, por exemplo, à escola e já não regressa a casa”.

Fonte: Jornal de Angola

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