O transplante de órgãos tem regras apertadas e depende muito da generosidade dos dadores e famílias. As famílias vivem entre o desconhecimento dessas regras – só as conhecem em cima da morte de um familiar – e o desespero de encontrar dador para salvar um ente querido doente.
Elas são o espelho dramático de uma questão que metaforicamente se resume a uma lista de vida e morte. Entre 15 e 20 por cento dos doentes morrem em lista de espera por um órgão. A lista que transporta a esperança de viver ou viver melhor encerra também o desespero de começar a ver a morte a chegar.
Este é um dilema que empurra milhares de pessoas para a procura de uma luz nesse mundo escuro do tráfico de órgãos, onde um rim pode custar 200 mil euros. Portugal não escapa a essa lei macabra. No plano da verdade formal, sempre se poderá dizer que o Ministério Público e a Polícia Judiciária não têm processos de tráfico de órgãos.
As autoridades portuguesas, nos mais diversos domínios, gostam de pensar assim: não há processos, não há crime. Mas alguém duvida de que estamos no reino das cifras negras? A realidade é muito mais complexa do que a estatística, e aqui, como noutros domínios, agrava sempre o fosso entre ricos e pobres. Estes são sempre os que estão na estatística fatal da lista de espera.

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