As operações contra pedofilia no Brasil vão continuar e a cooperação com Portugal para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes na Internet será intensificada, disse à Lusa o chefe da Divisão de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal.

“Esperamos que a cooperação possa aumentar com Portugal, porque não há como trabalhar nisso isoladamente. As operações da Polícia Federal e da Polícia Judiciária quarta-feira mostraram que estamos a ser pró-activos e o nosso intercâmbio será certamente intensificado”, declarou Adalton Martins.

O delegado da PF manifestou satisfação com o sucesso da operação que decorreu em Portugal contra a pedofilia, que realizou 18 buscas em todo o país e identificou 23 pessoas envolvidas com pornografia e abuso sexual de menores na Internet.

“Fico contente com Portugal e quero parabenizar as autoridades pela seriedade com que foi conduzida a operação”, destacou Martins.

No Brasil, a operação denominada “Carrossel II” envolveu 650 agentes que cumpriram 113 mandados de busca e apreensão, mas resultou na prisão de apenas três pessoas em flagrante por envio ou recebimento de material pornográfico infantil e uma outra por porte ilegal de arma.

O baixo número de detenções numa acção com tantos suspeitos deve-se à legislação em vigor no Brasil, que prevê a prisão somente se houver flagrante e não tipifica como crime a posse de fotos ou vídeos pornográficos de menores.

De acordo com Adalton Martins, o farto material apreendido em 17 Estados brasileiros e no Distrito Federal está a passar agora por perícias e deve levar à identificação de outros pedófilos no Brasil e no exterior.

Foram apreendidos mais de 20 computadores de secretária, cinco computadores portáteis, seis pen drives, sete disquetes e mais de 400 CDs e DVDs.

“Neste material há fotos até mesmo de bebés. Tudo aponta para um comércio disso a nível internacional. Há quadrilhas especializadas nesse tipo de crime, com sítios na Internet que só vendem esse material”, relatou o delegado.

Além de Portugal, mais de 70 países foram avisados pela Polícia Federal sobre a existência de conexões com o Brasil que manipulavam material pornográfico infantil.

Apenas cinco, entretanto, realizaram operações no mesmo dia em que a PF desencadeou a maior acção contra a pedofilia no Brasil – Portugal, Israel, Japão, República Tcheca e Senegal.

No Congresso brasileiro, parlamentares defendem a mudança da legislação brasileira para reprimir quem costuma aceder a rede mundial de computadores em busca de imagens de abuso infantil.

Para o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia, senador Magno Malta, é urgente a votação do projecto que tipifica crimes cibernéticos e prevê a prisão de pessoas que armazenam imagens sexuais de menores.

Aprovada no Senado, a proposta aguarda votação na Câmara dos Deputados.

Fonte: Agência Lusa

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