Celso Lafer, presidente da FAPESP, encaminhou ofício ao embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, a respeito da deportação da física brasileira Patrícia Camargo Magalhães, ocorrida no dia 12 deste mês, na Espanha.

A aluna do curso de mestrado em física na Universidade de São Paulo e bolsista da FAPESP ficou presa por mais de 50 horas no aeroporto de Madri, quando se dirigia a Lisboa. Na capital portuguesa, Patrícia participaria do Workshop on Scalar Mesons and Related Topics (Scadron 70) com a apresentação do pôster intitulado Study of the unitarized amplitude of two scalar ressonances.

“Além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, [Patrícia] viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano”, destacou Lafer no ofício cujo texto está replicado a seguir.

    Of. 33/2008-DP
    Iv
    São Paulo, 29 de fevereiro de 2008Senhor Embaixador,
    Como Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, órgão responsável pelo fomento à pesquisa científica e tecnológica nesse Estado, venho, em nome da instituição que presido e da comunidade científica a ela associada, externar a indignação com a situação vivida em Madri, entre os dias 10 e 12 do corrente mês, por Patrícia Camargo Magalhães, como seguramente é de seu conhecimento e foi amplamente divulgado pela imprensa.

    Não se trata de questionar as competências legais próprias de um Estado soberano em matéria do ingresso de estrangeiros em seu território, mas sim de apontar a inadequação, no caso concreto, dos critérios de decisão que levaram a uma solução contrária à justiça e ao respeito à pessoa.

    Com efeito, Patrícia, aluna do curso de mestrado em Física na Universidade de São Paulo – instituição parceira de diversas universidades européias e particularmente espanholas – e cujos méritos pessoais ressaltam-se ainda pelo fato de ter feito jus a bolsa de estudos concedida pela FAPESP, em que pesem sua gestão pessoal e as medidas tomadas pelo Consulado Brasileiro em Madri, que também foram divulgadas pela imprensa brasileira, restou impedida de chegar ao seu destino em Lisboa e de participar de importante momento de intercâmbio científico e cultural (Conferência Scadron 70).

    Desse modo, além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano.

    Atenciosamente

    Celso Lafer
    Presidente
    Excelentíssimo Senhor
    Embaixador Ricardo Peidró Conde
    Embaixada da Espanha no Brasil
    Brasília – DF

     Fonte: Agência FAPESP

4 thoughts on “Celso Lafer, encaminha ofício ao embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, a respeito da deportação da física brasileira Patrícia Camargo Magalhães”

  1. Então eu pergunto…
    Realmente acha essa a melhor solução?
    E como ficam os brasileiros e os latinoamericanos que trabalham nessas empresas no Brasil, e em toda a América Latina?
    Você realmente crê que uma retaliação a essas empresas só prejudicaria a Espanha?
    Lembrando que no atual cenário internacional todos os países são interdependentes.

  2. Patrícia,
    No último dia 02 fui deportada da Espanha, aeroporto de Madrid, quando me destinava à Italia, acompanhada do meu Tio que é Italiano e reside naquele país. Após detenção o ticket aéreo do trecho para a Itália, a carta convite do meu tio para a minha permanência em seu país, e a quantia necessária para meu sustento, foram apresentados (pessoalmente pelo meu tio) às autoridades, porém isso não bastou para que assim mesmo o processo de deportação se concluísse.
    Peço orientação, pois lí sobre o seu caso, e acredito que o processo já esteja em um estágio avançado.
    Se puder passar o contato do seu advogado e as dicas de como devo proceder ficaria muito grata.
    Obrigada
    Helen

  3. Prezados, Venho através dessa denúncia me apresentar. Tenho uma certidão de nascimento, que consta um nome e sobrenome: Karina Salzgeber, que também diz sobre minha naturalidade: Suzano, logo sou Brasileira. Para os mais conhecidos sou apenas a Karina. Para a Receita Federal, sou contribuinte e declaro imposto de renda. Para a Anac, tenho um passaporte válido. Para a companhia aérea, Ibéria, sou uma cliente. Para o consulado brasileiro em Madrid, sou ignorada. Para o Posto Fronterizo, em Madrid-Barajas, sou uma CRIMINOSA. E finalmente para o meu país, minha pátria amada, sou só mais um número de uma estatística triste e crescente. Depois dessa breve apresentação, venho denunciar a todos os interessados, ou não, como é a vida de uma turista que resolve ir a Lisboa visitar a família de seu namorado, mas fica PRESA em Madrid, por ser alvo de puro preconceito, maus tratos e taxada como ilegal e criminosa. E claro, por uma questão política. Além de se encaixar em mais um preconceituoso perfil: “Mulheres jovens, bonitas e desacompanhadas são alvos. Moças com esse perfil conseguem mais facilmente empregos informais.” – mais que porra de argumento é esse? Só falta falar que o fator beleza gera crise em um país. Engraçado que alguém deve ter se esquecido, que em 2013, essa mesma ESPANHA, disse que ia facilitar a entrada de brasileiros… mas mulher brasileira bonita pode? Claro. Na ocasião não importava se você era feio ou bonito, importava é tirar o país do buraco. Como meu destino não era, nunca foi e só será, e SE SOMENTE SE, for, é pra receber publicamente um pedido de desculpas e a retirada de todas as acusações, então não vou gastar meu português. Afinal, espanhol, ellos no me entienden. Entrei num avião no aeroporto de Guarulhos, no dia 29/03/2015, às 15:30, com conexão em Madrid e um destino final em Lisboa, digo, Brasil. Para facilitar o entendimento prometo tentar não me prender muito aos detalhes, tanto de tortura física ou psicológica, pois os mesmos ainda causam transtornos não só pra minha pessoa. Mas

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