Fortaleza é uma das capitais brasileiras que integra a rota internacional do tráfico de seres humanos, recebe crianças e adolescentes do Interior do Ceará e de estados vizinhos como Piauí e Maranhão vítimas de tráfico para fins sexuais e já criou sua rede de proteção para atendê-las, a Aquarela. Mesmo assim, esse tipo de crime ainda passa despercebido pela maioria da população, há subnotificação dos casos e dificuldade, inclusive, para fazer com que a integração entre os agentes da rede aconteça.

Com o intuito de melhorar a relação dos vários agentes que integram a Rede Aquarela e dar maior visibilidade a esse tipo de crime, desde a última segunda feira, os profissionais da área vêm sendo capacitados no Magna Hotel. A intenção é disseminar uma metodologia eficaz de atendimento e assistência direta às vítimas. Nesse sentido, explica a coordenadora técnica do projeto DisseminAção do Instituto Aliança, Sandra Santos, vêm sendo discutidas formas para o aprimoramento dos serviços de atendimento psicossocial e jurídico para as vítimas e suas famílias, e o desenvolvimento de ações voltadas à reinserção familiar, comunitária e socioprodutiva.

Conforme a coordenadora da Rede Aquarela, Germana Vieira, nem sempre é fácil detectar a situação de tráfico de crianças e adolescentes para fins sexuais pelos agentes da própria rede, daí a necessidade de capacitação. Há casos em que as vítimas ficam trancadas em locais particulares como escravos sexuais e sem uma denúncia é difícil chegar até elas. Além disso, às vezes, inicialmente identifica-se o caso de exploração sexual e só depois de algum tempo, após investigação dos agentes conversando com a vítima, é que se consegue identificar a situação de tráfico para fins sexuais.

A capacitação, que termina hoje, está sendo realizada através de parceria entre a Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza e o Instituto Aliança. Faz parte do Projeto DisseminAção, desenvolvido pelo Instituto Aliança com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República/SEDH.

Ele oferecerá pelo período de um ano, uma formação sistemática a gestores, técnicos, conselheiros, educadores sociais e integrantes da rede socioassistencial, tendo por referência a metodologia desenvolvida e disponibilizada pela organização Partners of the Américas, com recursos da USAID. Em Fortaleza, a iniciativa ocorre dentro da programação dos 19 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, numa parceria também com a Uece e a Secretaria da Justiça e Cidadania. O projeto DisseminAção foi lançado em Salvador em 27 de maio último, sendo executado em Fortaleza, São Luís, São Paulo, Maceió, Goiânia, Belém, Belo Horizonte e Foz de Iguaçu. A iniciativa prevê, ainda, a implantação de bancos de dados (de atendimento e de gestão institucional), ferramentas essenciais para o real dimensionamento do fenômeno em cada município.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=654539

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