Desde que se convenceu de que não havia mais clima para manter o delegado Paulo Lacerda à frente da Abin, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou para oferecer-lhe um cargo para o qual não houvesse a possibilidade de recusa. Assim surgiu o convite para assumir o posto de adido policial em Lisboa.

O cargo oficialmente ainda não existe. Será criado em um pacote preparado pela administração de Luiz Fernando Corrêa à frente do Departamento de Polícia Federal. Corrêa defende a instalação de 15 novos adidos policiais nos continentes americano, europeu, asiático e africano. Atualmente existem seis adidos na América Latina – Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Colômbia e Suriname – e um único na Europa, instalado na França.

Os primeiros cargos que a Polícia Federal espera instalar serão na Venezuela e no Peru – únicos países limítrofes com o Brasil onde a função ainda não existe -, nos Estados Unidos, em Portugal, na Itália e na Espanha. Os demais ficarão em países como Inglaterra, Suíça, Japão, África do Sul, entre outros.

Atualmente, diversos países mantêm adidos policiais no Brasil. Por conta da necessidade de combater o crime organizado, esse cargo é visto como de maior importância do que os adidos militares, que tiveram papel de destaque durante as ditaduras na América Latina, na década de 70. Esses policiais costumam desembaraçar pedidos das polícias de seus países perante as nações onde estão credenciados, solicitando diligências, investigações e depoimentos de pessoas. O adido policial espanhol, por exemplo, mantém contato permanente com os agentes federais brasileiros que investigam o tráfico de mulheres para a Europa.

Os Estados Unidos mantêm no Brasil dois agentes do FBI, seis da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência americana de combate às drogas, e vários a serviço do Tesouro americano, segundo informações da própria Polícia Federal. Países como Inglaterra, Espanha, Itália, França e até Suíça já mantêm adidos trabalhando junto às embaixadas instaladas em Brasília.

Neste ano, foi o adido brasileiro na embaixada de Paris, delegado Serra Pinto, quem desenvolveu importante papel nas negociações com as autoridades de Mônaco para oficializar a extradição do banqueiro Salvatore Cacciola. Foi ele quem levou documentos, procurou pessoalmente as autoridades e até deu plantão na porta dos órgãos da administração para apressar o processo de extradição, como lembraram ontem policiais federais que acompanharam o caso.

Fonte: Estadão.

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