Recentemente foi publicado em Portugal o livro Um Ano no Tráfico de Mulheres  de Antonio Salas, jornalista espanhol. Quem o conhece, descreve-o como tendo porte atlético e “olhar inteligente”.

É um olhar de fora, de quem se interroga como é a vida de um repórter que escolheu viver infiltrado. Que escolheu o risco. “É duro ter de mudar a imagem, os hábitos. Mas ter de mudar a forma de pensar, de sentir, para me converter de verdade num autêntico skin ou num traficante de mulheres, 24 horas por dia, é ainda mais duro”, confessou Salas numa entrevista que se pode ler no seu site, www.antoniosalas.org.  Aí está muita informação sobre a atividade deste homem que confessa ainda o medo que lhe descubram a câmara oculta que leva sempre com ele, testemunho do trabalho que faz e lhe fornece material para as reportagens televisivas; serve ainda como certificado de verdade. “Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, e percebo que algumas coisas que conto, sobretudo em Um Ano no Tráfico de Mulheres, sejam difíceis de conceber se não se virem as gravações da câmara oculta”.

Não a larga. Ela pode custar-lhe a vida, mas também a pode salvar. É ela o seu verdadeiro diário, um diário de imagens que não revela, por exemplo, sentimentos como a vergonha ou a raiva. “Fechar a compra de meninas latino-americanas de menos de dez anos, virgens, para as prostituir em bordéis europeus por 25 000 dólares cada uma, contendo a raiva e o asco que isso desperta é muito duro. Mas talvez uma das coisas mais difíceis seja descobrir a miséria, a hipocrisia e a falsidade do género humano. Sobretudo do género masculino. Depois de viver um ano e meio como traficante de crianças e de mulheres nas máfias da prostituição, ainda sinto vergonha de ser homem.”

Fonte: Diário de Notícias.

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