Em entrevista a Globo News, a nova Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, declarou que a sua pasta promoverá “políticas públicas estruturantes para a família”. Segundo ela, nós temos a “chance de construir verdadeiras políticas públicas permanentes, não mais programas de governo. Políticas Públicas que possam ter continuidade, políticas de Estado. (…). Políticas Educacionais que pensem na família, políticas de saúde que pensem na família, política de prevenção às drogas que pensem na família e não apenas no dependente químico. (…). Dar visibilidade e o protagonismo da família nas políticas públicas”. 

Recebo com satisfação o foco transversal à família deste governo, o sucesso desta iniciativa poderá significar a transformação para uma sociedade mais equilibrada e com o fortalecimento do respeito ao próximo.

Quando a Ministra fala em “família” ela está se referindo aos vínculos e não necessariamente – como muitos insistem em falar – da “família tradicional héteronormativa”. Aliás, hoje em dia parece até pecado ser branco, hétero e de classe média! É a já percebida intencional cisão da sociedade para responder ao desejo político de estabelecer o “nós contra eles” que foi ao longo dos últimos anos, procedimento que via a política como guerra e não como projetos para solucionar os problemas da sociedade respeitando realmente a verdadeira estruturação. Nesse sentido, esta cisão imposta precisa ser superada para alcançarmos a plenitude do respeito aos Direitos Humanos e, ao meu ver, é o que este novo Ministério está propondo.

Vejo como essencial a atuação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos nesta nova perspectiva. Não esquecendo que o presidente Bolsonaro assume um governo com graves problemas para equilibrar as contas públicas e retomar o crescimento do país, precisaremos também de uma mudança de mentalidade da forma como nós brasileiros lidamos com a questão econômica, este não é um desafio exclusivo para as contas públicas do governo, pois passa também pela promoção da Educação Financeira como um Direito Humano. 

A Educação Financeira deveria ser considerada pela nova administração como um Direito Humano, pois as pessoas criam o todo da economia e da sociedade, portanto não deve ser tratado como um assunto irrelevante.

O tema não pode ser considerado como demanda exclusiva da “classe média”, é inadmissível ignorar as necessidades da população com baixa renda e, ainda, por ser de baixa renda, considerar que esta parcela não tem razão de ter acesso uma educação que lhe permita pensar o dinheiro, como gastá-lo, otimizá-lo e poupá-lo. Por si só isto já demonstra a preocupação com a inclusão social, pois mostrará para o povo que se preocupa com seu presente e futuro, educando-o para sobreviver as intempéries. A educação financeira está intimamente ligada a qualidade de vida no nível individual, da família, da sociedade e, por consequência, de um povo.

O estímulo ao crédito no Governo Lula proporcionou a muitas pessoas o acesso a bens de consumo que até então era impossível para uma grande parcela da população. Por outro lado, a falta de conhecimento sobre o uso do crédito, suas consequências, bem como organizar estes gastos também trouxe desastrosos efeitos para diversas famílias que se viram em uma bola de neve de dívidas, as quais eram necessárias aos governos anteriores para manter a ilusão de que tinham propiciado aos mais desfavorecidos a ascensão a classes sociais acima. Foi dolorido ver este engano intencional derramado sobre a nossa sociedade.

A crise econômica que vivemos hoje também reflete como o brasileiro não estava preparado para emergências futuras. Atualmente, de acordo com o SERASA, 61,5 milhões de pessoas estão inadimplentes e a maior parte das dívidas estão relacionadas a cartões de crédito e a Bancos.

A população idosa também tem problemas com hiperendividamento, muitas vezes sequer conseguem relatar com precisão quais os empréstimos que realizaram e o quanto da aposentadoria foi comprometida com essas dívidas, tornando-os ainda mais vulneráveis.

Pensar na questão financeira é entregar à população um poder para controlar e saber como administrar sua renda por menor que ela seja. Fortalece a possibilidade de criação de microempreendimentos com maior probabilidade de sucesso e expansão. É estratégico para retirar as pessoas das amarras do assistencialismo. É essencial, se quisermos implementar neste país uma economia verdadeiramente liberal e capaz de produzir um bem-estar social.

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