Filipinos mais pobres sustentam mercado negro de transplante de rins

Cerca de 500 estrangeiros deixam todos os anos as Filipinas cheios de expectativa após receberem um rim doado por algum filipino, em muitos casos em troca de dinheiro.

As Filipinas, país com cerca de 24 milhões de pessoas que sobrevivem com menos de US$ 1 por dia em gigantescas favelas, são um bom lugar para aqueles que tiram partido do desespero de muitos filipinos, que os leva, anualmente, a vender um rim para melhorar suas condições de vida.

No mercado negro filipino, um rim custa, em geral, de US$ 1,750 mil a US$ 3 mil, um valor considerável para um filipino com família grande que, certamente, ganhará muito menos que isso em um ano de trabalho pesado.

O bairro carente de Bacora, ao sul de Manila e próximo ao porto, é chamado pelos jornais e pela população de “ilha do rim”, desde que autoridades locais denunciaram que pelo menos 300 habitantes dos cerca de 16 mil que vivem ali venderam um de seus rins com o sonho de poder seguir em frente.

“Por uma causa, ou para quitar uma despesa”, especificou o senador Juan Miguel Zubiri.

O mercado negro, abastecido de intermediários que ganham em média 20 mil pesos (US$ 750) por rim, e um custo cirúrgico menor do que nos países avançados foram suficientes para que centenas de doentes estrangeiros tenham decidido realizar os transplantes nos hospitais das Filipinas.

Muitas operações são realizadas no Instituto Nacional de Transplante de Rim, um hospital estadual que anuncia esse tipo de intervenção na internet, e outras em clínicas de maior renome, que cobram do paciente em torno de US$ 50 mil por seus serviços.

O diretor do Programa de Bioética da Universidade das Filipinas, o doutor Leonardo de Castro, revelou ao canal de televisão “ABS-CBS” que a imensa maioria das 500 operações de transplante de rim que são realizadas a cada ano tem como beneficiados cidadãos estrangeiros que sofrem de graves problemas renais.

Em dezembro, o influente Conselho de Bispos das Filipinas denunciou o crescente tráfico de órgãos humanos, que qualificou de “imoral e explorador”, e pediu ao Governo da presidente Gloria Macapagal Arroyo que tomasse providências para colocar fim a essa prática.

Diante das persistentes denúncias da Igreja e de associações cívicas, o Governo proibiu esta semana os transplantes de rim a estrangeiros, até que tenha início a nova regulação para acabar com este mercado negro.

O secretário de Saúde, Francisco Duque, disse que a norma regulará o transplante de rins e contempla a criação de uma comissão encarregada de supervisionar o processo, da doação até a implantação do órgão no paciente que o receberá.

A regra, que está prevista para entrar em vigor em meados de abril, foi recebida com ceticismo por analistas que criticam a ativa campanha de promoção do chamado “turismo médico” que o Governo faz no exterior.

“Veremos se a nova regulação vai acabar com o comércio de órgãos ou vai punir os membros da comunidade médica que promovem a doação comercial de órgãos”, disse a médica Gene Nisperos, secretária-geral da Aliança para a Saúde.

Segundo dados do departamento de Saúde local, entre 10 mil e 12.500 filipinos sofrem todos os anos de graves problemas renais, e cerca de metade poderia se curar se recebesse um transplante de rim.

Fonte: Agência EFE

3 replies on “Filipinos mais pobres sustentam mercado negro de transplante de rins”

  • dantos
    setembro 3, 2009 at 1:46 am

    concordo plenamente c a venda

  • janeiro 29, 2010 at 10:02 pm

    Enquanto as pesquisa de células troncos não terem um andamento maior e seu uso não for liberado, as pessoas continuaram a comercializar orgãos humanos

  • agosto 19, 2010 at 5:06 pm

    […] de R$ 12.000 num Mac Pro. Lindo, uma verdadeira workstation, mas nem vendendo seus dois rins no mercado negro você conseguiria comprá-lo. Você também não poderia desfrutá-lo enquanto estivesse na […]

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