O título do jornal The Independent chamava a atenção: «Chefes do futebol procuram travar tráfico de crianças africanas». A notícia dava conta da preparação do texto de uma convenção, a ser assinada pelas 27 ligas europeias de futebol, e em que as organizações se comprometiam a erradicar este negócio sujo dos seus clubes.

O que se passa, na realidade? Diz o jornal que os jovens africanos são aliciados pelo sonho de serem estrelas de futebol, como alguns dos seus conterrâneos. Quando os «olhadeiros» garantem aos pais que o filho tem futuro na bola, que chuta como nenhum outro, muitos deles fazem das tripas coração para financiar a sua viagem para um desses eldorados. Moussa Ndiaye, da Associação Senegalesa de Futebol, conta ao Independent como tudo se processa: «Estes rapazes são baratos comparados com os jogadores europeus. vale sempre a pena mandar 100 a um Teste de Captação – mesmo que só fique um ou dois, o traficante amortiza os gastos. Os outros são abandonados na rua.»

O estado das Nações, da nossa e das outras, revela-se sobretudo pela moralidade e a ética com que agem nestas situações. Na prática, diz a acusação, os responsáveis por muitos clubes optam, nestes casos, por não fazer demasiadas perguntas. Subitamente revelam-se alérgicos a papéis e a burocracias. Sem família, estas crianças são um «bem» a rentabilizar, e nada distingue esta prática de outras formas de escravatura.

A FIFA tem tentado agir proibindo transferências de jogadores com menos de 16 anos, e as leis europeias esforçam-se por lhe fazer frente exigindo contratos de trabalho antes da entrada no respectivo país. Mas, na realidade, os casos sucedem-se, e na passada semana um senador belga foi repetidamente ameaçado de morte por ter iniciado uma investigação a um caso de tráfico de 442 jovens nigerianos para a Bélgica.

Afirma o jornal que os países mais tolerantes para com esta prática são aqueles que têm ainda relações fortes com as suas ex-colónias, e citam Espanha, França, Bélgica e Holanda, como os mais «sensíveis». Espera-se, agora, que a convenção seja assinada. Mas, mais do que isso, que as autoridades cumpram a sua palavra.

Fonte: Destak Portugal

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