Meu nome é Patrícia Camargo Magalhães, tenho 23 anos e sou mestranda em física na USP. Dia 9 de fevereiro embarquei no vôo IB6820 saindo de Cumbica (Guarulhos) com destino a Madrid, local em que faria escala e seguiria ao destino final: Lisboa. Em Lisboa iria apresentar meu trabalho de pesquisa na conferência Scadron70, que começou dia 11/02 e termina 16/02. No entanto, a falta de documentos em mãos que provassem a minha estadia em Lisboa fez com que ficasse retida na aduana, sobre a desculpa inicial de verificação da quantidade de dinheiro que eu carregava. Ainda sem entender ao certo o que estava acontecendo, me dirigi ao local indicado e esperei ser chamada.

Cheguei ao aeroporto de Madrid 9h30 da manha de domingo. Ás 13h30 ainda esperava que alguém viesse falar comigo. Por diversas vezes ressaltei delicadamente à polícia que perderia a conexão para Lisboa. A resposta era sempre a mesma: “Senta-te, espera, si perdes el vuelo después te darán otro”.

Finalmente (após quatro horas esperando sem saber o que poderia acontecer), um policial apareceu com um pilha de passaportes nas mãos e foi chamando os brasileiros que iam então sendo liberados. E então percebi que todos os homens tinham sido liberados e só restaram as mulheres, em sua maioria negras e mulatas. Quando, depois de 5 horas de espera, chegou um outro avião da Venezuela, muitas outras mulheres se juntaram a nós e fomos todas levadas para o outro aeroporto onde ficaríamos presas por 3 dias até sermos enviadas de volta, na manhã desta terça-feira (12) às 11h35, no vôo IB6821.

Presa em situação parecida comigo, Camille Gavazza Alves, baiana de 34 anos, estava indo estudar inglês em Dublin, Irlanda. Tem um trabalho fixo na Companhia Petrobrás e havia conseguido uma licença de seis meses para freqüentar o curso. Possuía toda a documentação necessária para provar o motivo da viagem e foi deportada pelo governo espanhol sob a acusação de não conseguir provar os motivos – a mesma razão que alegaram para o meu caso.

Como nós, havia outras mulheres em situação parecida. Nádia, funcionária pública em Maringá (PR), pretendia visitar sua filha durante seu mês de férias. A filha de Nádia vive legalmente na Espanha há um ano e meio e seria a primeira visita da mãe à Madrid.

Ficamos presos no último andar do aeroporto, sem comunicação alguma com o mundo exterior a não ser por um telefone público para o qual era preciso comprar cartão. Éramos homens e mulheres de diversas nacionalidades, todos latinos e alguns africanos, ao todo mais de cem pessoas. O consulado brasileiro na Espanha foi acionado por nós e pelo Brasil, diversas vezes e por muitas pessoas diferentes, e nada fez frente ao nosso chamado de socorro. Nem ao menos respondeu nossas ligações.

Do telefone público da sala, mobilizei amigos que já estavam no congresso em Lisboa e família no Brasil, para que me mandassem provas de que eu estava devidamente inscrita no congresso e possuía reserva no hotel para o período do congresso.

As 14h30 da segunda-feira (11), por fim fui chamada para uma entrevista com a polícia, um advogado e um intérprete. A entrevista durou até em torno de 16h e foi a primeira vez, desde domingo de manhã, que fui ouvida pelas autoridades espanholas. Ao final, li meu depoimento cuidadosamente e por duas vezes pedi que ele fosse corrigido. Nele constava minha profissão, o valor da bolsa de mestrado, o motivo da viagem, a quantidade de dinheiro que eu levava, provas materiais como a cópia do meu pôster de apresentação, a capa de um artigo científico que levava meu nome, além de telefones de muitas pessoas e lugares em Lisboa que poderiam comprovar tudo.

Porém, de nada adiantou tudo isso. Nenhum telefonema foi dado, a minha carta estava pronta antes mesmo de terminar a entrevista (o horário do documento é 14h). Quando questionei a polícia a esse respeito, os agentes disseram que nada poderiam fazer e que quem decidia sobre quem seria enviado de volta ou aceito era o chefe da polícia. Perguntei: “Mas onde está o chefe da polícia?” e pedi que especificassem quais documentos faltavam. Fui ignorada. Não assinei a carta de expulsão.

Não levaram em consideração minhas explicações em momento algum. Me deixaram presa em um cárcere sem grades mas com regras. Fui privada da minha liberdade e de meus objetos de higiene pessoal – não pude ficar nem com minha escova de dente, pílula, ou qualquer outro artigo de higiene. Tampouco aceitaram os documentos e comprovações enviados por fax ou ligaram para os telefones fornecidos por mim para confirmar as informações. Fizeram a carta de expulsão antes mesmo de me ouvir quando pude falar.

Sobre as instalações do cárcere só tenho a dizer que se tratava de um ambiente degradante. No primeiro dia, não havia lugar para todos sentarem e tive que ficar uma boa parte do dia sentada no chão, inclusive na hora do almoço. Na janta, fazia frio não queria comer no chão, então fui comer sentada na bancada do banheiro.

Isso tudo é uma clara demonstração de preconceito social e sexual, e ainda uma violação clara dos Direitos Humanos e do Tratado de Fronteiras Shengen, do qual eles mesmos se utilizaram para me colocar fora de seu país. O próprio advogado presente na minha entrevista ficou irritado com a má-vontade em ouvir as pessoas entrevistadas.

Algo deve ser feito. O governo brasileiro não pode permitir que seus compatriotas sejam tratados de forma degradante. De minha parte, estou me informando para entrar com um processo contra o governo espanhol, via Itamaraty ou diretamente na corte espanhola (com o advogado que me acompanhou na entrevista) para reembolso da passagem e danos morais. No Brasil, vou processar o serviço consular brasileiro na Espanha – que não fez o seu trabalho.

Estou à disposição para outros esclarecimentos.

Atenciosamente,

Patrícia Camargo Magalhães

 Ver também: http://blogdanielaalves.wordpress.com/2008/02/25/algumas-respostas-sobre-os-casos-de-deportacao/

32 thoughts on “Íntegra da carta de Patrícia Camargo, deportada para o Brasil pelas autoridades espanholas”

  1. Por favor preciso muito entrar em contato com a Patricia camargo magalhães, pois eu cheguei em madrid, dia 9/2 as 9:30 e só voltei pra casa no dia 11/2 as 00:05, eu estava com meu bebê de 17 meses, minhas irmãs moram na espanha a mais de 10 anos e apesar da documentação exigida que era a tal carta convite que eles pedem me deixarm 3 dias la, estive no mesmo lugar que a patricia e no mesmo dia, pena que não nos encontramos la, minhas irmãs contrataram uma advogada pra me tirar de la, mas foi inutil provaram de todas as formas que eu estava indo pra visitar minha familia mas mesmo assim, não deram atenção a advogada fez uma denuncia ao juizado de menores de madrid sobre os maus tratos da assistente social do local que de assistente social não tem nada, ela é sim uma torturadora psicologica… não tinha agua quente pra dar banho na minha filha, pedi alimento pra ela, as 11:00 da manhã e ela só trouxe as 16:30 e só depois de todo esse tempo que ela também resolveu trocar meu dinheiro pra que eu pudesse comprar um cartão telefonico e entrar em contato com minha familia, se bem que ela já tinha percebido algo estranho porque estavam todas me esperando no aerporto, os maus tratos eram horriveis só depois da advogada solicitar o comparecimento de um juiz de menores no local , que o tratamento foi outro, mas mesmo assim camuflaram o lugar o maximo que puderam pro juiz achar que la sim poderia ficar um bebê, o lugar é mal cheiroso, não tinha agua quente a criança ficou misturado com mais de 40 pessoas, o baneiro é coletivo fora que não é limpo. POR FAVOR ME AJUDEM A ENTRAR EM CONTATO COM A PATRICIA, TBM QUERO FAZER UMA DENUNCIA FORMAL, E TÔ AQUI PRA AJUDAR NO DEPOIMENTO DELA… OBRIGADA POR ENQUANTO.

    1. ue tambem passei pelo mesmo que tu so que a minha filha è espanhola, eu tambem quero denunciar, se precisar è so entrar en contato comigo. um abraco

  2. Lamentável o que aconteceu com a Patricia e muitas outras "Patricias" que pretendem entrar na Europa por motivos justos e topam sempre com a "simpática" polícia espanhola que parece não ver outra coisa além da imagem esteriotipada da mulher brasileira. É certo que muitas entram para exercer atividades ilícitas e muitas que entram somente com o passaporte, por isso eu recomendo sempre: PASSAR SEMPRE PELO CONSULADO ANTES, MESMO QUE SEJA DE GRANDE SACRIFÍCIO.
    Abraços a todos e não desistam de lutar pelos seus direitos.

  3. É lamentável tudo isto.
    Ano passado tive de "socorrer" um amigo que retornou da espanha nas mesmas condições.

    Mais lamentável é o DESCASO das nossas autoridades/MRE/consulados e governo federal que "baixam a cabeça" literalmente nestas horas. E ainda ficam fazendo propaganda de que somos "assistidos" pelos nossos embaixadores e cônsules!

    É verdade que retiraram até sua escova de dentes.
    É verdade que lhe deram "ração" que chamaram de comida.
    É verdade que o banheiro é imundo.
    É verdade que a sala fica fedendo de tanta gente.
    E tudo mais é verdade!

    Só não há verdade alguma nas justificativas das autoridades espanholas, que não querem admitir que impõem um CASTIGO aos viajantes para que nunca mais voltem!

  4. Pra vocês verem como eles são loucos. Eu fui a europa com minha esposa em 2006. Entramos em Paris e depois um voo Paris – Madrid. Não fui parado em aduana alguma. Ninguém me parou nem perguntou nada.
    Fui para Espanha, França, Alemanha, Itália. Na saída de volta, por Milão, fui parado e finalmente pediram meu passaporte. O policial achou estranho eu nao ter carimbo algum. (passaporte novo).
    Eu falei que estranhava muito também. QUem estava lá há 20 das e ninguém me parou para perguntar nada.
    Ele carimbou a saída (minha e de minha esposa) e embarcamos. Foi 1 minuto de conversa.

  5. Eh um absurdo tudo isso e esses politicos bananas nao tomam nenhuma atitude em represalia a isso tudo. Tambem pudera, o brasileiro eh humilhado no proprio pais, imagina no exterior. O dia que os brasileiros acabarem com essa passividade e comecar a agir, ai sim, talvez a coisa mude.
    Sinto muito por vc Patricia!

  6. Caros,
    Escrevo para me solidarizar com a Patricia e repudiar o tratamento desumano e xenófobo das autoridades espanholas em relação aos brasileiros. Conheço outros casos semelhantes, e em todos eles fica clara a disposição da Espanha de rasgar as regras do convívio internacional e as convenções de Direitos Humanos do qual aquele país é, estranhamente, signatário.
    Sem mais,
    Tito Montenegro

  7. Quando li o depoimento da Patrícia revivi as mesmas angústias que ela viveu naquele cárcere no aeroporto de Barajas, Madrid. Essa situação aconteceu comigo e meus familioares no dia 22 de janeiro deste ano, onde passamos por momentos de grande angústia, sem saber o que estava se passando, e o porque de estarmos detidas naquele lugar terrível. Quando pedimos para acionar o consulado brasileiro na Espanha o que tivemos como resposta era que o nosso consulado de nada valia naquele país. Ficamos horrorizadas com tal resposta!
    Estávamos de férias escolares e escolhemos Madrid para passarmos uma semana. Compramos o pacote pela TAM VIAGENS. Nos deportaram no dia seguinte sem a menor explicação onde fomes escoltadas pela polícia até a escada da aeronave como se fóssemos criminosas. Como você Patrícia, fizemos todas as denúncias que podíamos, enviando o nosso relatório para o Itamaraty e para outros orgãos do governo tanto estadual como federal. Até o presente momento não tivemos nenhuma manifestação por parte das autoridades. Estamos certas de que vamos até onde pudermos com as nossas denúncias, para que possamos ser ouvidas.
    Abraços, e que as autoridades tenham a dignidade de se manifestarem.

  8. Gostaria de dizer que passei exatamente pela mesma situação relatada pela Patrícia, naquele mesmo local, apenas alguns dias antes (fiquei lá de 19 a 21 de Janeiro). Sou doutor em engenharia, formado pela UFRGS, e atualmente sou bolsista-pesquisador em um projeto de pesquisa na UFRGS e professor na escola de engenharia da Ulbra. Estava indo para a Bélgica encontrar a minha namorada, que esta iniciando um período de 8 meses de estudos na Universidade Católica de Louvain La Neuve, como parte do doutorado dela (também em engenharia). No meu caso também faltavam apenas as reservas de hotel ou uma carta-convite. Para completar, ainda tive meu passaporte marcado, o que me impediu de tentar ir novamente. Eu sou testemunha do tratamento desumano que as pessoas recebem naquele lugar, e da falta absoluta de apoio aos brasileiros que ficam naquela situação. Tenho parentes na Europa que tentaram de tudo para me ajudar, e o único que tentou fazer alguma coisa foi o cônsul da Bélgica na Espanha. Faço questão de denunciar esta situação, e estou a disposição para qualquer esclarecimento.

  9. Angustias vividas por mim por CINCO DIAS no Aeroporto de Barajas em julho de 2007 voltaram à tona com a notícia nas rádios e jornais da frustrante viagem de Patrícia. Eu estava de férias e ia me hospedar na casa de uma amiga que mora há 5 anos em Madrid, tinha passagem de ida e volta e dinheiro suficiente para os passeios, sou formada em letras pela USP e funcionária da Escola Politécnica também na USP e tinha todos esses comprovantes. Revolta-me a forma como vi latinos americanos e africanos sendo tratados naquela prisão, algo tem que ser feito, afinal o Tratado de Fronteiras Shengen não é bilateral? Como os europeus são tratados aqui? Alguém já ouviu história parecida no aeroporto de Guarulhos? Claro que não, o que nossos representantes fazem?
    À todos que passaram por isso deixo aqui minha solidariedade e contato para que possamos nos unir e reivindicar nossos direitos (zabeleza@hotmail.com)

    Abraços cordiais

    Beta
    (ps. Elisabete, entre em contato comigo)

  10. Por Veronica Teresi

    Estimados,
    Imagino que já viram essa noticia… Estive pensando bastante nela e queria compartilhar com vocês e, quem sabe, até mesmo saber o que pensam sobre ela.
    Náo que este caso concreto seja o único, porque diariamente alguns de nós sabemos que eles acontecem náo somente com universitários que iriam apresentar trabalhos no exterior, mas com pessoas comuns, estudantes, turistas, etc.

    Acho que existem, pelo menos, duas coisas a serem levadas em considerçáo:
    1. A posiçáo do consulado. No caso desta brasileira, é inimaginável a intençáo do consulado. Como se pretendia que a brasileira mandasse um pedido formal (escrito) para o consulado? Ela náo tinha acesso nem à escova de dente… Isso, ao meu ver, indica no mínimo, uma falta de sensibilidade para a situaçáo de fragilidade em que se encontram esses brasileiros, o que deve ser repensado e construído.

    2. A situaçáo específica dessa brasileira em Madri. Sabemos da existência de restiçóes à entrada de migrantes na Uniáo Européia. Porém, o que mais sobressai sáo as formas como executam essa imposiçáo. Náo há informaçóes claras sobre os documentos que estáo faltando, as condiçóes em que permanecem as pessoas náo- adminitidas esperando a devoluçáo aos países de origem, na falta de informaçóes gerais e, inclusive, no momento de reavaliar casos em que fica esclarecida a náo intençáo de permanecer como imigrante irregular (o caso dessa brasileira, isso fica bastante evidente). Penso que esse fato concreto pode e deve inspirar mudanças na forma de tratamento aos imigrantes que chegam ao espaço territorial da Uniáo Européia.

    Penso que esse caso pode colocar em questáo essas duas discussóes: 1) a atuaçáo do consulado brasileiro com relaçáo à atençáo aos brasileiros no exterior. e 2) a forma como a policia estrangeira trata os imigrantes, entre eles os brasileiros, que por ali passam.

    Gostaria de saber o que vcs acham,
    Um abraço
    Veronica Teresi

    PS: O comentário foi enviado pela Verônica por e-mail. Como a Verônica neste momento não pôde acessar o blog, postei o comentário enviado.

  11. Seria o caso dela entrar com um processo contra as autoridades espanholas que, entre outras coisas, fizeram que ela perdesse o congresso e ainda tivesse o dissabor de ser tratada como ilegal ou suspeita. Um bom advogado da área de Direito Internacional privado poderia ajudar.
    Abraços
    p.s. Bola fora do nosso Itamaraty.

  12. Gostaria de manifestar meu pesar e grande lamento pelo ocorrido. A partir de hoje ja penso duas vezes antes de seguir para um congresso fora do pais…este fato deve ser pauta de discussao pelo tempo que for necessario, ate que estes preconceitos sejam superados.

    coloquei uma link pra materia no meu blog.

    abraços

    sidarta

  13. Algunas veces y esta es una de ellas, me da verguenza ser español.
    Es terrible que exista gente con tan poca humanidad en algo que aquí llaman el Estado de las Libertades.
    Solamente puedo decir una cosa: perdón.
    Ya sé que mi voz es únicamente una voz.
    Pero espero que sirva para que quienes me lean piensen que en España hay buena gente, gente humana.

    Un saludo.

    Luis

  14. Olá Patrícia, olá todos!
    Eu estou perplexa com o que aconteceu! Quero dar meu depoimento: eu sou brasileira, estou no último semestre do meu doutorado em química, fazendo-o na Finlândia. Aqui, eu nunca sofri nenhum tipo de discriminacão. Fui a um congresso na Inglaterra e entrei sem problemas, apenas dei o nome do evento. Fui novamente à Inglaterra para visitar amigos, dessa vez o rapaz que verificava o passaporte até bateu um papinho comigo sobre como finlandês era difícil. Fui a outro congresso na Grécia e lá eles nem carimbaram meu passaporte! Mas, posso te dizer que tenho colegas português e espanhóis que não costumam agir com a mesma simpatia. Frequentemente essa pessoa espanhola tenta me humilhar na frente de nossos colegas, e um dia, quando eu disse que parecia que a água daqui era mais ácida pois me dava um pouco de azia, essa pessoa disse que é porque meu estômago está acostumado a beber "água suja", então estranha a água limpa.
    Conheci outros e, não quero generalizar senão me igualarei a eles mas, a península Ibérica realmente mostra mais preconceito em relacão aos brasileiros do que a europa do norte. Na Espanha as mulheres brasileiras são vistas como prostitutas. Que se dane o que a mídia mostra lá fora, no Brasil tem gente que trabalha, que estuda, que produz ciência! Apesar de ter sido bem tratada em todos os lugares que estive aqui na Europa (Alemanha, Suécia, Estônia, Paris) eu sempre vou "com um pé atrás". Sei que posso ser vítima disso também. Eu gostaria que nos uníssemos e fizéssemos um abaixo-assinado pedindo a reparacão pela humilhacão que a Patrícia passou. Se um deputado menos corrupto pudesse propor algo como um selo de estudante no passaporte de todos os alunos vinculados à uma universidade… sei lá. O que não dá para aceitar é que um membro da comunidade científica passe por isso! Nós sabemos o quanto suamos para conseguir fazer pesquisa no Brasil, para pessoas ignorantes privarem um pesquisador de divulgar seus resultados! NOOOSSSAAA… eu estou com muita raiva disso…PATRICIA PUBLIQUE ESSES DADOS NUMA RESVISTA DE IMPACTO BEM ALTO E ESFREGA NA CARA DESSA GENTE!!!!!!!!!!

  15. Compartilho a mesma dor de ter ficado detida, no dia 22 de janeiro deste ano. Neste dia era o aniversario de minha prima que me aguardava e aguardou ate praticamente o outro dia, juntamente com a sua familia que la reside. Ela ja havia preparado a recepçao que acabou nao acontecendo. Seu esposo, com os pais, tentaram diversas formas para me tirar de la. Minha família no Brasil de tudo fizeram. Comunicávamos pelo telefone da sala que fiquei juntamente com outros brasileiros e estrangeiros. E ficamos 25 horas ate a saída de volta ao Brasil. Verdadeiramente nunca havia passado por tal humilhaçao, uma situaçao muito constrangedora para uma pessoa, como tantas outras, busca uma vez na vida conhecer outro pais, em visitar parentes, pessoas muito queridas. Que nao prentende trabalhar ou morar la, ficar ilegal. Mostrei a polícia carta, dinheiro, cartões, comprovante de renda como funcionária pública, mas nada adiantou. Isso nao deveria ficar impune. Estou a disposição pra denunciar esta situação.

  16. Olá Patricia sinto muito por essa situação.
    Eu passei tb por uma situação na Espanha
    A Policia da Espanha é desumana eu tenho uma carta de expulsão..
    Fui presa ficaram com todos os meus objetos e fiquei numa cela parecia que eu era uma assassina uma deliquente…
    Fiquei uma noite inteira presa qd amanhaceu o dia foram 4 policias me levar cafe parecia que eu era uma bandida muito perigosa fui fichada como uma pessoa que comete um crime…
    Chorava muito que não conseguia me controlar nunca passei por situação dessa…
    Mas infelizmente é assim eles tratam Brasileiro como cachorro….
    Eu falei qd ia embarcar que europeu deveria ser tratado da mesma forma la no Brasil…eu não tinha mas o que perder….
    Sinto muito Patricia o que aconteceu com vc…
    Um grande abraço Fabiana

  17. Saudacoes Patricia,
    Sinto muito o ocorrido contigo, na verdade e muito triste o que aconteceu contigo em Madrid. Vivi na Espanha por cinco anos, sou meio coboclo-candango. Morei tambem em Londres onde sempre pensavam que era Marroquino pelo sotaque brasileiro(que as vezes parece sotaque frances pelas "r's", e pela cara de paraiba). Os Espanhois sao super simpaticos com os Brasileiros, adorao ao Brasil. O problema e que la, como no Brasil, as autoridades sao uma porcaria so, os Espanhois vivem o mesmo drama que os Brasileiros, o governo e cheio de leis idioticas/caoticas, a burocracia uma tormenta, e os cargos publicos cheios de pessoas incompetentes e preguicosas. Acho que tudo isso herdamos da velha penisula Iberica. No Brasil quem sofre a discrinacao sao os pobres, nordestinos e analfabetos(como nao ter educacao fosse o mesmo que ser retardado mental). O mesmo passa em toda a America Latina, se voce tem cara de Indio, vai ter as coisa mais dificeis de que se tivesse cara de Alemao. A sua atitude, apesar de tudo ocorrido com voce, e muito positiva. Voce tem razao e deve continuar sua batalha, nao so por brasileiros, mas contra discriminacao de qualquer tipo.

    Sorte e Paz, e que Deus esteja contigo

  18. ola, isso ja vem acontecendo de muito tempo mas as pessoas não faz nada né, mas eu queria saber se tem como entrar com pedido de indenização das passagens aéreas, minha filha com minha sogra foram em novembro de 2007 e chegaram la foram muito humilhadas, minha sogra ja é bem de idade e minha filha tem 11 anos
    passaram um terror la entao eu quero saber se tem jeito, o pai da minha filha mora la tinha todas as documentações necessárias mas foram deportadas espero uma resposta suas ta bom obrigada.

  19. Somos uma Assoc. sem animo de lucro que estamos a trabalhar na Espanha em Prol de Mulheres Brasileiras.

    Somos:AME-Asoc. de Mujeres Emprendedoras-Brasail/España.

    Gostariamos de obter o contacto da Veronica Teresi e de deixar o nosso contacto paa futuras conversas,socias e troca de informações.
    Mail:asociacioname@gmail.com
    Estamos em Madrid.

    Cordialmente,
    Junta Diretiva da AME.

  20. Oi Patricia meu nome e nara, olha eu morei na espanha 13 anos tinha minha residencia espanhola me casei com um espanhol no ano 2000 me separei por malos tratos, em 2004 conheci uma nova pesso com quem estou ate hoje e temos uma filha de 3 anos no ano de 2006 vencia meu papeis eles nao me renovarao mesmo tendo uma filha espanhola e meu marido dono de 2 empresas, em abril fomos passar semana santa em Salvador ao voltar eles nao me dixarao entrar, meu marido passou primeiro com minha bolsa e a bolsa da natalia e nos nos mandarrao para esta sala isto era 1hora da tarde, as 5 me chamarao para entrevista com o fuso horario minha filha sem comer,chorando de fome, a unica coisa que deram para ela foi uma pera porque eu implorei que le dessem algo, na entrevista o policial disse o que eu fazia ali, eu contei, ele me chamou de mentirosa e que eu era uma matenida que meus papeis anteriores nao serviao para nada e que eu tao pouco trabalhava eu disse a ele que eu tinha minha vida laboral, e disse que era mentira tenho minha carteira de motorista, e me disse que qualque um podia ter, bom me disse de tudo, e a adevogada tambem nao acreditou em mim, nunca fui tao humilhada em toda minha vida,estive ai com minha filha 30 hora com todo tipo de gente, sem nada, minha filha suja, sem roupa eles nao dexarao meu marido dar nem a roupa da natalia, meu marido dormiu no aeroporto esperando uma resposta. No outro dia nos tirarao dali e nos levarao a outra sala ainda peor os policiais super estupidos e mal educados e disse que em duas haras embarcariamos para salvador,eu disse que sem minha bolsa nao embarcava, em 5 minutos a asssistente social desceu e pegou minha bolsa com meu marido, fui deportada para Salvador eu sou do interior do Rio grande do sul, viagei sem nem uma calcinha para minha filha è muito triste, os consulados supostamente estao para ajudar, mais nao estao nem ai, o telefone eles nunca atenden na internet nunca respondem, e eu sigo no brasil correndo atras de papeis o mais duro e ver minha filha chorar com saudades do pai, como eles destroi assim uma familia, nao tenho vontade de voltar mais primeiro è minha filha, e muitas mais coisa eu posso te contar, quem pode fazer alguma coisa por nos se quem esta para ajudar nao ajuda. um abraco

  21. Oi Patricia tudo bem….bom eu moro na irlanda ha 8 anos..e nunca consegui work permission ou cidadania europeia..tive sorte…ja fui ao brasil 4 vezes e sempre volto por madrid…mas eu entendo a sua revolta e gostaria de saber como anda o processo ..ou seja como esta caminhando as suas acoes contra o consulado ..e o governo espanhol…ok…boa sorte pra vc ..e espero que vindo pra europa possa realmente conseguir os seus objetivos…..

  22. hola patricia tudo bom…aki estou eu escrevendo estas linhas como muitas destas pessoas q relatarao o q viverao,vivo na espanha ja faz 7 anos,nunca tive a visita de nenhum familiar ate q convenci minha mae pra me visitar ,pra saber a vida q levo,meu trabalho, minha casa, minha familia ,como qualquer pessoas normal q trabalha e faz sacrificios pra chegar a fim do mes, mas minhas ilusoes forao destruidas por um sr,q dizem q isso é uma loteria q passa quem eles querem, minha mae nao vinha sozinha vinha com uma visinha minha, sua filha e seu marido,tinha papeis suficiente pra provar q eu tinha todas os papeis e meios pra mantener ela aki,mas nada adiantou,tenho uma dolor, um vazio resumindo uma sensaçao d impotencia tao grande…esta pessoa q fez isso,nao quis saber de nada. todas ilusões da minha mae,minha, da minha filha enfim de todos forao destruidas em questao de minutos, ela é uma pessoa humilde q nao conhece nen o brasil era todo um reto pra ela,onde tardei anos em convencer-la e vem o sr q simplismente destroi tudo,nao quiserao saber de nada ,paguei advogado e tudo mas nada adiantou eles sao repugnante,e te falo uma coisa enquanto existirem pessoas assim este mundo nao vai melhorar,por isso devemos unirnos e tentar fazer alguma coisa pra q estas situaçoes nao continue passando,devemos ixirgir q eles confirmam todos os datos das pessoas antes de entrar, e deporta os q nao coincida com nada,mas os q tem comprovante eles nao tem este direitos de humilharnos assim; e aki fica meus votos pra q possa unir com os de otros e fazer muitos ate poder chegar a alguém q possa fazer alguma coisa pra ajudarnos fiquem com DEUS e tenhamos fé um saludo.

  23. ola lamento muito por todos vcs que sofreram esse abuso horrivel da imigraçao… gostaria que se vcs pudessem entrar em contato comigo eu agradeceria muito por estou fazendo minha monografia sobre os brasileiros retidos na imigraçao…
    gostaria muito saber se algum de vcs pediu reparação e se houve a reparação?
    obrigada

  24. E PATRICIA ESSA EXPERIENCIA E TIVE TAMBEM!! MAIS POR MUITO MAIS TEMPO!!
    DIFERENTE A VC FUI DEPORTADO VIVI ILEGALMENTE POR ALGUNS ANOS (3)SEI QUE ESTAVA EM UMA SITUACAO ILEGAL MAIS NEM POR ISSO DAR O DIREITO A ELES DE ME TRATAREM COMO UMA VAGABUNDO CRIMINAL,FORA 38 DIAS DE CADEIA, COM A MESMA ROUPA, FUI PRIVADO DE VISITAS TINHA MINHA NAMORADA QUE E INGLESA GRAVIDA DE GEMEOS E AGORA ATUAL ESPOSA, TINHA DADO ENTRADA EM MINHA DOCUMENTACAO PARA RESIDENCIA NA ESPANHA, MAIS EU QUERO EXPRESSAR AKI O DESCASO DESSE GOVERNO QUE NAO RESPEITA OS IMIGRANTES JA QUE E UM PAIS QUE CRESCE DEVIDO O NOSSO TRABALHO, QUE E UM PAIS QUE NAO TEM RESPEITO PARA COM AS PESSOAS, RACISTAS MAL EDUCADOS E FROUXOS MAIS NAO E SO A ESPANHA QUE TRATA SUA GENTE DESSA FORMA!!
    AO CHEGAR NO RIO DE JANEIRO FUI TRATADO IGUAL PELA POLICIA FEDERAL QUE DISSE QUE SE NAO QUISESSE ESSE TIPO DE TRATAMENTO NAO SAISSE DO PAIS..
    SOU PROFESSOR DE CAPOEIRA, LUTADOR DE MMA PROFISSIONAL, TENHO UM TRABALHO NA INGLATERRA.
    MAIS AINDA TENHO QUE VIVEER COM ESSE SENTIMENTO DE ODIO QUE ME CONSOME TODOS OS DIAS.
    ESSES ESPANHOES QUANDO CHEGAM AKI SAO TRATADO COM RESPEITO E EDUCACAO E NOS BRASILEIROS COMO CRIMINAIS, INFELIZMENTE COM TODA ESSA FALTA DE RESPEITO EU RESOLVI PASSAR A TRATAR PESSOAS DE ESSE PAIS DESSA MANERA, AGORA SOU RACISTA PARA COM ESSA NACIONALIDADE E DISPOSTO A CAUSAR A MALDADE PARA COM ESSES ESPANHOIS QUE SAO QUEM EU MAIS ODEIO.
    COM CERTEZAA VC ESTA PENSANDO MAIS A VINGANCA NAO E DE DEUS!!!
    MAIS O QUE EU PASSEI TAMBEM NAO, O QUE MINHA FAMILIA PASSOU TAMBEM NAO ENTAO AGORA EU TENHO ISSO NO MEU CORACAO E COMO EU E COMO PATRICIA E MUITAS PATRICIAS PASSAM TODOS OS DIAS, OS ESPANHOLES TURISTAS PODEM PASSAR E PECO A DEUS QUE NAO ENCONTRE UM ESPANHOL EM MINHA TERRA POR QUE QUEM JA VIU O INFERNO UMA VEZ DUAS OU TRES VEZES NAO IRIA FAZER DIFERENCA!!
    REVOLTAS DA ESPANHA!!

  25. Moro na Espanha há anos,tenho um monte de amigas brasileiras e nunca tivemos o mais minimo problema.Todos os espanhóis que conheço nos tratam muito bem.Nunca me senti discriminada ou algo parecido.A culpa de que tenhamos má fama é porque realmente vieram muitas prostitutas.Nós mesmas,brasileiras residentes aqui,evitamos relacionamento com esse tipo de mulheres pois podem nos prejudicar.Por tanto,acho que não deveriamos culpar os espanhóis e sim a essas compatriótas que nos representaram tão mal no exterior deixando nossa nacionalidade num nivel baixerrimo.Eu sim que sinto vergonha de ser compatrióta delas.

  26. Célia, que pensamento triste o seu.

    1. Muitas brasileiras são vendidas e levadas para se prostituírem na europa contra sua vontade, e não por vontade própria, como você alegou.

    2. Se elas vão para a Espanha, é por que há, pelo menos, um interesse local em seus serviços. Então é, no mínimo, hipocrisia dos espanhóis de denegrir a imagem dessas mulheres quando eles, em grande parte, as pagam.

    3. Você está tendo o mesmo pensamento higienista dos espanhóis. Se a culpa é das prostitutas, resolvam com as prostitutas, homologuem leis para esses casos, e não prejudiquem pessoas de bem que nada têm a ver com a questão, como estão fazendo.

  27. Quando empresas que fazem tranporte passarem a ser responsabilizada quando o destino é fora do solo Espanhol. ja que aeroportos internacionais são areas muitas dessas empresas são Espanholas. o que me parece ficar com dinheiro por medidas restritivas. muita gente tinha que acionar as empresas. assim o povo espanhol parava com essa palhaçada

  28. Prezados,

    Venho através dessa denúncia me apresentar.

    Tenho uma certidão de nascimento, que consta um nome e sobrenome: Karina Salzgeber, que também diz sobre minha naturalidade: Suzano, logo sou Brasileira. Para os mais conhecidos sou apenas a Karina. Para a Receita Federal, sou contribuinte e declaro imposto de renda. Para a Anac, tenho um passaporte válido. Para a companhia aérea, Ibéria, sou uma cliente. Para o consulado brasileiro em Madrid, sou ignorada. Para o Posto Fronterizo, em Madrid-Barajas, sou uma CRIMINOSA. E finalmente para o meu país, minha pátria amada, sou só mais um número de uma estatística triste e crescente.

    Depois dessa breve apresentação, venho denunciar a todos os interessados, ou não, como é a vida de uma turista que resolve ir a Lisboa visitar a família de seu namorado, mas fica PRESA em Madrid, por ser alvo de puro preconceito, maus tratos e taxada como ilegal e criminosa. E claro, por uma questão política. Além de se encaixar em mais um preconceituoso perfil: “Mulheres jovens, bonitas e desacompanhadas são alvos. Moças com esse perfil conseguem mais facilmente empregos informais.” – mais que porra de argumento é esse? Só falta falar que o fator beleza gera crise em um país. Engraçado que alguém deve ter se esquecido, que em 2013, essa mesma ESPANHA, disse que ia facilitar a entrada de brasileiros… mas mulher brasileira bonita pode? Claro. Na ocasião não importava se você era feio ou bonito, importava é tirar o país do buraco. Como meu destino não era, nunca foi e só será, e SE SOMENTE SE, for, é pra receber publicamente um pedido de desculpas e a retirada de todas as acusações, então não vou gastar meu português. Afinal, espanhol, ellos no me entienden.

    Entrei num avião no aeroporto de Guarulhos, no dia 29/03/2015, às 15:30, com conexão em Madrid e um destino final em Lisboa, digo, Brasil. Para facilitar o entendimento prometo tentar não me prender muito aos detalhes, tanto de tortura física ou psicológica, pois os mesmos ainda causam transtornos não só pra minha pessoa. Mas para todos os familiares envolvidos. E a indignação é extrema quando vemos que isso não é de hoje e até hoje acontece. Como?

    Cheguei em Madrid, detalhe: já fiz essa conexão outras vezes, sem NENHUM PROBLEMA, e fui surpreendida quando fui direcionada para uma sala quando respondi ao policial que vinha de São Paulo. Achei estranho, mas como não tinha nenhum problema que impedisse minha conexão, achei que fosse só um protocolo. Quando me dei conta que nessa sala só havia eu de brasileira e outras quinze pessoas de diversas nacionalidades, comecei a pensar que poderia ser algum tipo de encrenca. Mas quis acreditar que não. Afinal, passei outras vezes e nada. Depois de aproximadamente duas horas, mais uma brasileira se juntou à sala. E depois outra. Comecei a questionar ao policial sobre minha conexão, estava chegando a hora de embarcar e ele num gesto imbecil, grosseiro e intencionado, diz: “No sé lo que estás hablando. no entiendo.”

    Passadas algumas hora fui levada para uma entrevista, em outra sala, fora da área dk aeroporto, que segundo informações, seria rápida e logo estaria liberada. Fui atendida por uma policial, que me questionou o motivo de viagem, se eu tinha dinheiro suficiente, cartão e um documento para comprovar um endereço fixo em Madrid. Insisti que estava apenas em conexão e que para tal, atendia todos os requisitos para essa breve passagem pelo aeroporto de Madrid, como antes. Ela disse que iria averiguar e me direcionou para falar com uma assistente social em outra sala. Mal sabia que a assistente social, só tinha dois papéis vender cartão telefônico e me dar três absorventes.

    Tive que deixar minhas coisas, depois de revistadas em uma sala, que era trancada. Quando me dei conta, a conexão foi perdida e eu estava presa. Isso mesmo. PRESA. Mas que eu teria um advogado e um tradutor, então tranquilidade teria que pairar no ar. Presa? O que eu fiz? Comi demais no avião? Não sei falar o espanhol perfeitamente e grosseiro como o dos policiais? Qual o motivo? Ninguém me respondia nada. Muito menos me ouviam.

    Num momento de desespero comecei a olhar ao meu redor e vi que as pessoas da primeira sala, ali estavam. Mulheres. Latinos. Negros. Crianças. Olhei para um quarto onde haviam algumas camas. Separadas, mulheres e homens. Uma ao lado da outra. Sem nenhum tipo de privacidade e PROTEÇÃO. Assim como o banheiro, um ao lado do outro, ou seja, você FICA VULNERÁVEL SIM A QUALQUER SITUAÇÃO. Depois de muito esperar veio a comida, fria, péssimas condições e uma água. A comida era colocada por um senhor em uma mesa de plástico e um policial acompanha essa entrega. Você senta nessa mesa de frente para uma parede de vidro que você não vê nada, além do seu próprio reflexo. Atrás dela, policiais ficam te vigiando. Todos armados. Mas sem identificação de nomes.

    Fui informada pelas outras pessoas que haveria uma entrevista com o tal advogado e o tradutor. A hora não passa e você encontra um telefone que diz ser linha direta do consulado em Brasília, o Itamaraty. A ligação é “grátis”. Esse telefone não atende. Aliás ele está incorreto. Chegando a hora da entrevista, a policial insistiu na mesma pergunta do motivo da viagem e depois sem muitas explicações, e estupidamente me disse que já tinha ultrapassado os noventa dias que me dá direito, nos últimos cento e oitenta. Tentei mostrar que a conta estava errada, fui chamada de burra, pra baixo, pois ela determinava tudo. O advogado só dizia: não posso fazer nada. Detalhe: um advogado espanhol. O que me adianta um advogado espanhol se eu sou brasileira e estou no território deles? Eu respondo: NADA!

    Depois de muita discussão sobre matemática, ela me questionou novamente sobre a carta de convite. Eu disse que o endereço fixo era em Lisboa mas que se fosse necessário enviaríamos para ela, assim como entregaria em mãos, já que a minha família e a família do meu namorado foram avisados. E iriam até lá caso necessário. Sim, foram avisados sim, mas por MIM. Não como o direito prega, que a família seria avisada pelo consulado brasileiro e todas as providências para o bem estar estavam garantidas. Garantida a comunicação graças aos 5 euros para comprar um cartão que acaba logo. Como comprei 4, fiz questão de parar de ligar e esperar que as pessoas retornassem. Isso funcionava. Você passa o número do orelhão e as pessoas te ligam. O fim dos cartões foram para as pessoas que nem sabiam quando iam embora e a família nem sabia do paradeiro. Teve gente que queria apenas 1 minuto. Teve gente que disse que só tinha 1 minuto e ficou com o cartão. Graças a Deus. Na necessidade, você compreende o desespero. Não ia guardar de lembrança. A única lembrança que quero ter é ver o sorriso e o choro de emoção quando alguém conseguia falar com sua família. É o que te alivia. Te deixa forte.

    Bom, meu contato com o consulado brasileiro foi bem direto e eficaz. Ele teve o maior descaso. Afinal, quando consegui falar, foi quando ele retornou um recado que deixei antes no celular dele. Horas e horas depois. Nisso eu já sabia que não iria continuar, ou seja, já tinha sido considerada como ilegal e teria a volta o mais rápido pro Brasil. A ligação do consulado brasileiro em Madrid, foi só pra me dizer que eles estavam certos e não me liberavam pra livre acesso ao aeroporto para uma alimentação e um banheiro digno, pois eu iria fugir. Fugir pra onde? Sem documento? Sem lenço. Mas que deixava claro que eu não estava numa prisão, pois não tinha grades. Mas tinha policiais armados e bem armados. Ora, ele presta ajuda a brasileiros com problemas sérios no exterior ou ajuda o país a acabar com o brasileiro?

    Todos os esforços foram feitos para que eu saísse daquela prisão, menos o esforço principal, o do MEU PAÍS. Preso no Brasil tem direito a banho de sol. Eu nem podia ver o sol, só um de lápis de cor, que estava desenhado na parede, talvez por uma das crianças que já passaram por ali. Tentei várias vezes pegar meu celular para tirar fotos ou gravar qualquer segundo, mas o policial te acompanhava e revistava com luvas, tudo que você tirava da bolsa. Peguei umas fotos que levava dos meus pais, eles olharam uma por uma, como se numa foto eu estivesse escondendo uma bomba que colocasse o país em perigo. Recebi uma ligação do meu pai que me deixou em prantos, não queria escutá-lo chorar. Afinal, por que a filha dele estava nessas condições? O que ela fez de errado? Um policial se comoveu ou se irritou, com o meu soluçar e me levou para um ser que se designava médico, que nem me perguntou nome, o que tinha acontecido, não prestou socorro, não fez uma triagem, como as de praxe: medir pressão, tentar me acalmar, conversar. Ele simplesmente resolveu o problema: me deu um “remedinho”. Alguém se preocupou em saber se eu tinha algum problema de saúde ou alergia a algum medicamento? NÃO. Depois disso me devolveram para a salinha para que eu pudesse esperar meu voo. Enquanto isso um policial tentou entender o motivo de tanto choro e indignação. Respondi que não sabia o que fazia ali já que meu destino era Lisboa. Pra minha surpresa, esse mesmo policial me orientou a fazer um novo passaporte, assim entraria em Lisboa sem problemas e que evitasse a Espanha. Afinal meu destino era Portugal. Famosa roleta russa. Belo jeito de ser justo e policial, te prende e te ensina a cometer um crime.

    Chorei o resto da noite até as intermináveis badaladas de 00:35, a hora do meu regresso ao BRASIL, que primeiro, seria uma cortesia da ESPANHA. Na verdade eles adiantaram a minha passagem de retorno, afinal a empresa também é espanhola. Quando pensei que chegando a hora do embarque, a humilhação toda acabaria. Fui levada num camburão de polícia todo fechado e com câmeras, para a porta do avião. Fui exposta a todos os passageiros pois o embarque já tinha sido feito. As comissárias faziam questão de te tratar mal e te expor por ser uma pessoa ilegal.

    Depois de tudo isso, fiz questão de receber o meu passaporte na frente de um policial federal brasileiro e em solo brasileiro, que me deu orientações e disse ser bem comum e triste. Afinal eu pertencia a um grupo de pessoas que chama a atenção. Infelizmente.

    Vi que meu passaporte tinha um carimbo estranho e minhas malas estavam por aí. Questionei sobre o que dizia aquele carimbo e tudo que o consulado me diz até agora é: “No sé lo que estás hablando. no entiendo.”

    Então, na minha humilde pessoa não entendida, venho apelar por uma explicação de tudo isso. Qual crime foi cometido pra que eu não pudesse seguir viagem? E quanto a minha visita a LISBOA? E o Brasil? Café a proteção do brasileiro no exterior? Cadê os direitos humanos? Cadê algum representante aparecendo nessa sala pra ver qual a real situação de quem está ali? Fácil é divulgar que você não fica preso e tem todo o apoio. MENTIRA. O que você tem é a dignidade de chegar ao seu país, se expor e ainda achar que existe justiça.

    Quem arca com todo esse prejuízo? Eu e minha família? Estou proibida a entrar na Europa? Como vejo meu namorado em Lisboa? Por que? Qual a minha pena?

    Pelo amor de DEUS, existem mais pessoas lá sofrendo abusos. Psicológicos e físicos. Somos mantidos como criminosos em situação precária. Alguém precisa fazer alguma coisa. Caso contrário, a estatística cresce e o povo que arca com os problemas criados pelos interesses políticos. Chega. Já nos basta arcar com tantas injustiças dentro do país que vivemos. Quando conseguimos viajar, não estamos cometendo crimes. Estamos sim, com o direito de gastar nosso suado dinheiro que mesmo desvalorizado é conseguido de forma digna e honesta. Chega de danos materiais em épocas de férias. Viagem é motivo de alegria. Não uma tragédia, por ser brasileira. Danos morais. Cadê quem nos representa no exterior? Não pagamos a ida de vocês lá, só pra jantares de interesses. Vão lá e vejam o que fazem com o seu povo, esse que vota em todos vocês! Duvido que alguém foi naquela sala e acha realmente justo o tratamento que é dado quando você é impedido de entrar num país. Tinha gente que domina convite de trabalho de Madrid e está lá.

    Não desejo o mesmo para os espanhóis. Desejo que eles venham ao Brasil sim. Desejo que seja cumprida a lei da reciprocidade. Desejo paz. Desejo ir e vir. Desejo conhecer lugares e culturas. Desejo que as pessoas se respeitem. Desejo que direitos sejam cumpridos. Não achem que temos só deveres. TEMOS DIREITOS SIM. Quem vai me garantir uma ida segura pra encontrar meu namorado e sua família? Quem vai limpar meu passaporte? O policial espanhol?

    A única garantia que tenho é que mesmo dentro do meu país, sirvo pra Espanha como cliente. Cliente de bancos em categoria diferenciada onde a gerente vem na minha casa. Sou cliente e refém da telefônica, pois no Alto Tietê sabemos que a mesma é única e exclusiva, pra quem quer ter uma conexão com a internet. Fui funcionária da TELEFÔNICA, como era meu perfil nessa época? De criminosa? De praticante de atos ilícitos? Trabalhar na telefônica significa ter um emprego informal e fácil? O Brasil precisa realmente acordar, hoje metade dos problemas seriam resolvidos se antes de aceitar contratos com países e ficar na mão deles, é preciso ter visão do que você abre mão. No caso do seu povo.

    “Espanhola Gamesa vence dois contratos de turbinas eólicas no Brasil.”

    “O Brasil é o principal destino de investimentos espanhóis no exterior, com 66 milhões de euros anuais, o que torna a Espanha o segundo país estrangeiro em volume de investimentos no Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2014, o número de empresas espanholas com filiais brasileiras superou sete mil, com geração de mais de 200.000 postos de trabalho locais.”

    “O estaleiro Navantia, maior empresa de defesa da Espanha, vê o programa de reaparelhamento da Marinha brasileira como uma grande oportunidade para incrementar seus negócios internacionais na área de construção naval militar, setor que responde por 80% do faturamento do estaleiro, de € 1,6 bilhão por ano.”

    “O interesse da Espanha é continuar comprometida com o Brasil e aproveitar todas as oportunidades que possam surgir” … E nós brasileiros? Criminosos.

    Parabéns a todos os envolvidos.

    Enviado a:
    dac@itamaraty.gov.br
    ouvidoria@anac.gov.br
    Ouvidoria.consular@itamaraty.gov.br
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    embaixadadeportugal@embaixadadeportugal.org.br
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