Crise revela perfil empreendedor do crime organizado

Milão – Cerca de 180 mil empresas italianas foram obrigadas a pedir financiamentos à Máfia, pois os bancos italianos se recusam a cobrir suas necessidades de liquidez, principalmente para capital de giro.

Os dados são oficiais e foram confirmados pela União dos Lojistas da Itália, a Confesercenti. Eles mostram que a pior crise financeira das últimas oito décadas significa “grandes negócios” para a Cosa Nostra.

A usura é a atividade que mais cresce para a Máfia, proporcionando arrecadações anuais de 15 bilhões de euros. Com esta gigantesca liquidez em suas mãos, as gangues e os capos das famílias mafiosas deverão ampliar sua influência sobre todos os setores da vida econômica italiana, realizando aquisições e fusões de empresas, bancos e imóveis.

“Com um faturamento anual que atinge 130 bilhões de euros e desempenho líquido de 70 bilhões de euros, se a Máfia fosse uma empresa, seria a maior multinacional italiana. Mas, em antítese com as demais empresas, ela tem sido minimamente afetada pela crise financeira mundial”, constata um relatório da Confesercenti. E isto a torna ainda mais perigosa.

Famílias de capos como a Máfia siciliana, da Camorra napolitana e da N”Draguetta da Calábria decidiram aproveitar a crise de crédito que levou os bancos a fecharem as torneiras dos empréstimos e financiamentos para empresas.

Milhares de empresas italianas foram obrigadas a recorrer às diversas facções do crime organizado para conseguirem empréstimos e financiamentos, pagando taxas de juros usurárias.

O crime organizado italiano utiliza os desempenhos destas operações para financiar outras atividades suas – ilegais ou mesmo legais – em todo o país.

Os interesses legais da Máfia se concentram nos setores da construção civil e do comércio varejista: famílias tradicionais de capos operam restaurantes, além de terem presença nos segmentos de turismo, apostas, coleta de lixo, saúde e imóveis.

Já as atividades ilegais da Máfia compreendem o tráfico de drogas, o contrabando, a prostituição, a lavagem de dinheiro e uma série de outras transgressões do Código Penal italiano.

De acordo com as últimas informações, as famílias mafiosas já penetraram nas empresas de petróleo e gás natural, nos times de futebol e até nos bancos da Rússia.

Fonte: http://www.monitormercantil.com.br/mostra_noticia.asp?id2=55620&cat2=internacional

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.