Doze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) por participação num esquema de exploração da prostituição na Europa que envolvia o envio de mulheres para trabalhar com prostitutas na Itália. Os doze denunciados vão responder pela prática do crime de tráfico internacional de pessoas, sendo que sete deles também vão responder pela prática do crime de formação de quadrilha, já que se associaram para traficar pessoas e para explorar a prostituição.

De acordo com o MPF, a organização criminosa enviava mulheres para as regiões de Treviso, Padova, Bolonha e Milão. As investigações que deram origem às denúncias do MPF detalham o envio de quatro mulheres para a Itália. As duas denúncias que tratam da questão foram ajuizadas no último dia 12 de maio.

As investigações da Operação Treviso, deflagrada no dia 30 de abril, revelaram a existência de dois grupos, que aparentemente atuavam de forma independente. O primeiro grupo é constituído majoritariamente por uma mesma família. Marli Feu de Assis, Gracielle Feu Benevides, Vera Lúcia Feu Silva e Marlene Lyra Feu foram denunciadas pela prática do crime de tráfico internacional de pessoas, já que aliciaram mulheres no Brasil e promoveram a ida delas para a Itália para fins de prostituição.

A pena para esse tipo de crime varia de três a oito anos de prisão, podendo chegar a 10 anos, em caso da vítima ser maior de 14 e menor de 18 anos, cônjuge, ascendente, descendente ou irmão do agente.

Já o segundo grupo possui dois núcleos, um brasileiro e um italiano. De acordo com o MPF, a cabeça dessa organização criminosa é Helena Pinheiro Cavalcanti, que reside na Itália. Daquele país, ela e seu companheiro, o italiano Maurizio Bisarello, solicitavam ao núcleo brasileiro o número de mulheres que devem ser enviadas do Brasil. Também integram o núcleo italiano os brasileiros Ezequiel Fernando Guimarães, Daniele Leporic e Rosângela Aparecida Lourenço.

Por sua vez, o núcleo brasileiro, responsável pelo aliciamento das mulheres que eram remetidas para a Itália, é formado por Gerusa Maria Raasch Gaiba, que mora em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Estado, e por Sebastião de Siqueira Cavalcanti, de Guarulhos, São Paulo. Em um episódio isolado, Gerusa contou com a colaboração de Maria Lúcia de Senna para aliciar uma das mulheres remetidas para a Itália.

Tanto o núcleo brasileiro quanto o italiano foram denunciados pela prática do crime de tráfico internacional de pessoas, e todos os envolvidos, com exceção de Maria Lúcia de Senna, também vão responder pelo crime de formação de quadrilha. Cada um deles pode pegar, portanto, até 11 anos de cadeia, por cada delito cometido.

O Ministério Público Federal já solicitou à Justiça Federal o envio de documentos ao Ministério da Justiça para que possa ter início o procedimento de extradição dos brasileiros presos na Itália.

Fonte: A Gazeta 14/05/2008

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