No post anterior sobre a reportagem referente às questões relacionadas aos imigrantes na UE e as políticas que estão sendo utilizadas frente a este fenômeno, observamos algumas palavras chaves contidas no texto:

1- imigração, 2- xenofobia, 3- segurança, 4 -extrema direita.

Logo no início do artigo, faz-se referência à prioridade absoluta do governo italiano que está relacionada à luta contra imigração e a segurança cidadã.

Parece inacreditável que ainda estamos nos deparando com estes discursos. O pior, não são os discursos, mas sua aplicação e aceitação perante a sociedade.

Seria cômico se não fosse trágico vermos o conceito de segurança cidadã, ao lado de uma luta contra imigração, segundo o discurso italiano. Temos aí uma dicotomia relacionada à segurança: sem segurança não há liberdade (já que a falta desta, dificulta o livre exercício dos direitos e liberdades dos cidadãos) e sem liberdade não pode haver uma autêntica segurança (já que segurança sem liberdade comporta um regime autoritário).

Esta dicotomia ultrapassada, parece ainda assolar as mentes dos governantes europeus.
Sabemos que a segurança cidadã incorpora valores muito mais amplos para dar conta dos desafios que a globalização nos impõe; mas parece que este conceito está enraizado territorialmente, e não em escala global, que seria o respeito aos cidadãos do mundo, chamados estrangeiros.

Todo este debate relacionado à imigração é muito complexo, multifacetado e necessitaria até mesmo de uma análise histórica, para entendermos de onde vem aplicações tão esdrúxulas de políticas contra-imigração.

A ideia de “invasão dos bárbaros” vai se enraizando nos “corações e mentes” dos europeus. O que impressiona é a força com que esta noção é difundida nos países europeus e, por vezes, pessoas esclarecidas, pessoas de “boa” orientação política, quando confrontadas com certas situações, comportam-se a partir desse referencial ideológico.

Os estrangeiros passam a significar, nesse sentido, pessoas que iriam tomar seus empregos, que estariam mudando seus modos de vida, introduzindo as drogas, a criminalidade, a decadência. Dessa forma, começam a crescer as tensões por todo lado.

Mas, será mesmo que os cidadãos europeus pensam nos estrangeiros como uma ameaça?
Tensões sociais, tanto interna (nos países europeus) como externas (fora da Europa) acabam por encontrar uma válvula de escape na xenofobia e no racismo, como quem diz: Opa! Precisamos desviar a atenção da sociedade… Que tal… criarmos problemas ao invés de solucioná-los?

Estamos enfrentando uma guerra psicológica em escala global, o medo onírico está sendo utilizado como arma para ganhar votos. O risco da opinião pública ser totalmente contaminada por essa irracionalidade é extremamente grave, pois será a instrumentalização do medo, convertendo-se em ódio racial.

Daniela Alves

One thought on “O despertar da extrema direita…”

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