A operação ‘Vorax’, da Polícia Federal, atingiu em cheio um dos maiores esquemas de corrupção do estado do Amazonas. Coari, o segundo município amazonense mais rico, por conta da exploração do petróleo, se transformou num antro de corrupção envolvendo a administração do prefeito Adail Pinheiro. O valor desviado, segundo relatório da PF, é praticamente impossível de ser calculado, mas estima-se que milhões de reais foram desviados. O esquema, do qual faziam parte familiares do prefeito, envolvia 150 empresas de construção civil. Recentemente, o prefeito Adail foi acusado de fraudar até a certidão negativa do INSS para continuar recebendo repasses federais.

Nos últimos anos, as denúncias contra Adail passaram a ser rotina. É estranho, no entanto, o comportamento dos órgãos encarregados de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos em relação a Coari. De concreto, consta apenas uma fiscalização da Corregedoria-Geral da União (CGU), no ano passado, que apurou prejuízo superior a R$ 7 milhões envolvendo recursos de convênios federais e de receitas dos royalties.

A investigação da PF, no entanto, revela que o esquema de corrupção é muito maior e mais grave do que se imaginava. Usava-se dinheiro público para pagar garotas de programas, algumas delas menores de idade. É o cúmulo da malversação de recursos do contribuinte.

Desde que foi iniciada a exploração de petróleo no campo de Urucu, Coari transformou-se numa cidade rica. Mas essa riqueza ficou restrita à prefeitura e ao grupo que está no poder. A população não foi beneficiada. Na cidade, cresceram os índices de prostituição, o desmatamento, a violência e o tráfico de drogas. Todos esses problemas poderiam ser bem menores e menos graves se a corrupção naquele município não chegasse a níveis epidêmicos. A Polícia Federal sabe que todo esquema de corrupção era comandado pelo prefeito, que continua solto por gozar de foro privilegiado. É mais uma excrescência da legislação brasileira, que só estimula a corrupção nas instituições públicas.

Diário do amazonas

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