Preparar agentes federais dos países do Mercosul para lidar com as vítimas e os aliciadores envolvidos com tráfico de seres humanos é o objetivo da oficina Cooperação e Coordenação Policial no Mercosul e Chile para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”, que começou hoje (16) e será realizada até o dia 18 em Foz do Iguaçú (PR). O encontro reúne representantes das polícias federais de Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile.

A complexidade de fatores envolvidos no tráfico de seres humanos, que resulta quase sempre em algum tipo de trabalho forçado – urbano, rural ou sexual –, inclui principalmente a maneira como o aliciado encara a polícia. De acordo com o coordenador do evento e oficial de projetos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Rodrigo Pena, quando a vítima é estrangeira ela quase sempre enxerga a polícia com medo e não como uma fonte de amparo.

“O medo é forte e o explorador geralmente joga com isso. Ele diz ‘se você não fizer o que eu quero eu te entrego para a polícia. Eles vão te prender, te bater e te mandar de volta’.  Isso, claro, associado a outros tipos de chantagens e coações”, explica.

Segundo Pena, a polícia precisa estar preparada para enxergar no aliciado uma vítima e entender que ele geralmente se envolve nessa situação por falta de opções de trabalho no lugar onde vive. “Uma palavra que define bem o tráfico [de pessoas] é exploração. A exploração do trabalho está sempre relacionada e ela acontece por falta de condições decentes no lugar de origem da pessoa”, explica.

O representante da OIT acrescenta que geralmente essas pessoas têm informações, em parte, sobre as condições do trabalho que vão exercer em outro país, outro estado ou até em outra cidade no mesmo estado. “Esse é um consentimento viciado. Porque se uma pessoa só tem aquela opção para sobreviver, então ela não tem opção. Além disso, elas não sabem que vão trabalhar forçadamente e sem o direito de desistir do emprego”, alega Pena, lembrando que o Protocolo de Palermo – documento assinado pelo Brasil junto com outros países para erradicação do tráfico de pessoas – diz que  esse tipo de consentimento não deve ser considerado.

Rodrigo Pena alerta para o preconceito que impede que as mulheres vítimas de tráfico para exploração sexual recebam apoio adequado da polícia, já que, em muitos casos, elas já eram prostitutas antes de serem aliciadas. “Ela vai achando que vai trabalhar como prostituta lá e ganhar muito mais ou até conseguir se casar e largar esse tipo de trabalho. Você acha que se ela soubesse que iria trabalhar 15 horas por dia, sem receber e sem poder recusar cliente, ela iria? Ninguém em sã consciência iria”.

Os principais fins do tráfico de pessoas são exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes e trabalho foçado urbano ou rural.

Fonte: Agência Brasil

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