Os mandados de prisão cumpridos ontem (24/4) pela Polícia Federal envolvem assessores, prefeituras e advogados ligados à Força Sindical e ao PDT. Um deles é Ricardo Tosto, 44 anos, preso na tarde de hoje em seu escritório no Itaim Bibi (zona oeste de SP).

A operação da PF descobriu um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES. Uma quadrilha, formada por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos, atua de forma a obter empréstimos do referido banco e a desviar parte dos valores em benefício próprio.

Ao menos dois financiamentos concedidos pelo BNDES em 2008 são objeto de fraude. Um deles de R$ 130 milhões foi concedido a Prefeitura de Praia Grande e outro, de cerca de R$ 220 milhões, para uma grande empresa do ramo varejista.

Tosto é conselheiro indicado pela Força Sindical para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O conselho inclui ministros de Estado, presidentes de entidades como a Fiesp e a Firjan e as centrais sindicais. A CUT, por exemplo, indicou o seu ex-presidente João Felício.

Segundo a Polícia Federal, em coletiva de imprensa realizada hoje na sede de São Paulo, todos os presos na Operação Santa Tereza, de alguma forma, estão envolvidos no esquema que praticava desvios de dinheiro de financiamentos do BNDES, além de explorar o tráfico local e internacional de mulheres.

A lista inclui assessores do PDT, partido que agrega boa parte dos membros da Força Sindical. O presidente desta central sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo partido, é o integrante mais conhecido.

As duas prefeituras investigadas pela Operação Santa Tereza, Praia Grande e Guarujá, também têm ligação com a central. Praia Grande, administrada pelo PSDB, abriga a colônia de férias da entidade; o PDT comanda a Prefeitura do Guarujá.

O superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Jaber Saad, descartou qualquer vinculação política à prisão do advogado.

“Não confundam questão política com a questão do departamento da Polícia Federal. O nosso departamento nunca se prestaria a fazer apuratório para ser usado politicamente”, disse Saad.

Última Instância procurou os assessores do partido para comentar a ligação e ainda não obteve resposta. Em nota, o escritório de Tosto afirmou que as operações em que uma empresa e uma prefeitura teriam supostamente sido beneficiadas por empréstimos do BNDES aconteceram antes de o advogado integrar o conselho do banco, “não tendo, nem remotamente, a sua participação”. “A bem da verdade, o advogado Ricardo Tosto nem conhece os beneficiários destas operações”, afirma.

Fonte: Última Instância

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