Um projeto social desenvolvido no bairro Pedra 90, um dos mais violentos de Cuiabá, está afastando crianças das ruas e dando novas perspectivas de vida para famílias da região. Na sede do “Só Alegria”, policiais militares desenvolvem atividades de segunda-feira a sexta com 120 meninos e meninas, com idade entre 11 e 18 anos, e ensinam a eles valores como disciplina e respeito.

O grupo tem aulas de música, dança, capoeira, educação física e teatro. As crianças recebem também aulas de reforço e participam de passeios especiais. A partir da próxima semana, o Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) passará a auxiliar o “Só Alegria”, que existe desde 2003. As crianças vítimas de violência doméstica receberão acompanhamento especial.

O projeto mudou a vida da adolescente Ana Carolina Silva, de 13 anos. “Participo há quatro anos. Antes de entrar aqui, eu ficava o dia todo conversando na esquina com minhas amigas, por onde passavam vários usuários de drogas”, relatou a garota. Segundo ela, a matéria que mais gosta é Ordem Unida, que ensina a criança a ser disciplinada.

A mãe da menina, Alice Rosa Teixeira, de 53 anos, afirmou que sua filha mudou depois que passou a participar das atividades. “Ela parou de ficar na rua, melhorou na escola e não tem mais preguiça. Quando eu chego em casa, está tudo arrumado e ela está estudando, o que antes não acontecia. Só lamento não ter conseguido mudar o futuro dos meus outros filhos, um deles era muito violento e agora fugiu”, contou.

Para as crianças que vivem no foco da violência, da exploração sexual e do tráfico de drogas, a iniciativa traz a esperança de ter um futuro diferente. Contudo, a sede do projeto, mantida pela prefeitura é pequena, e apenas três policiais precisam atender a todos os menores. A PM conta com voluntários e aceita doações, sejam em dinheiro ou em bens, como por exemplo, instrumentos musicais. “Quando a criança começa a participar, tem certa resistência a nossa presença (militar), mesmo porque nossa função é combater o crime. Porém, depois que elas estão aqui, percebem que lá fora são nossas parceiras”, comentou o coordenador da PM no bairro, capitão Arlindo Marques.

Fonte: Diário de Cuiabá

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.