Em Moçambique há cerca de 20 mil refugiados de vários países africanos. Cerca de metade está no campo de refugiados em Nampula, enquanto que a outra metade está espalhada pelas várias cidades do País. Dos que estão no campo se ocupam o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e o Governo moçambicano.

A Igreja faz a sua parte sobretudo no plano do acompanhamento pastoral e espiritual e de sensibilização da população local para os factores que levam esses refugiados a deixar os seus países de origem e, por conseguinte, a tratá-los como irmãos.

A Igreja faz isso através da CEMIRDE, Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados. O Presidente deste organismo é D. Adriano Langa, e nele trabalha a irmã Marinês Biasibetti, Missionária escalabriniana, brasileira.

Ambos vieram ao Vaticano a semana passada para a Conferência do “Grupo Santa Marta” (26 e 27/10/16) que luta contra o tráfico humano. É que a maior parte das vítimas deste tráfico são mulheres e crianças, pessoas em movimento, migrantes.

Em entrevista à nossa Emissora, a irmã Marinês explicou que em Moçambique já se fala de tráfico humano e a Igreja, juntamente com as Autoridades do País, tem-se muito empenhado nisso, mas permanece ainda um tabu falar do tráfico de órgãos e de partes do corpo humano essencialmente para fins de feitiçaria. É que isto está ligado à cultura em muitos países africanos e a Igreja, embora vá ganhando coragem de condenar isso, não faz ainda o suficiente.

Um estudo feito pela CEMIRDE com financiamento da CAFOD e a colaboração de antropólogos, revelou que 95% desse tráfico não é para transplante, mas sim para feitiçaria. Muitas vítimas são pessoas albinas, mas não só. A irmã dá o exemplo de um jovem ao qual, precisamente nestes dias, foi extirpado os órgãos sexuais.

Uma forma de combater isso seria trazer a questão da feitiçaria para o palco internacional do “Grupo Santa Marta”, organismo criado em 2014 pelo Papa Francisco para combater o tráfico humano no mundo.

Na entrevista que nos concedeu a irmã Marinês fala ainda das ações que a CEMIRDE tem levado a cabo, das que tem em programa e da cooperação com bispos e autoridades civis de países vizinhos. O Ano Jubilar da Misericórdia – refere – levou a pôr este conceito no centro de todas as atividades, reforçando o espírito de misericórdia que já os anima.

Ouça a entrevista neste link: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/10/31/trazer_a_feiti%C3%A7aria_para_palco_do_combate_ao_tr%C3%A1fico_humano/1269171

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.