“Em média 10.000 rins de doadores vivos, são transplantados por ano”, disse Michael Bos, do Conselho de Saúde da Holanda, que qualificou a situação como “uma espécie de apartheid médico”.

“Isto vai de pobres a ricos, de países subdesenvolvidos a poderosos, de gente negra a brancos e, com freqüência, de mulheres a homens”, acrescentou, salientando as desigualdades existentes entre essas pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), com sede em Genebra, disse que está aumentado no mundo o “turismo por transplantes”, dado que os pacientes ricos que não podem comprar órgãos nos seus países, viajam ao exterior para receber rins de doadoras pobres.

Um destes casos é o de um cidadão de Nova York que pagou 60.000 dólares para receber em um hospital da África Do Sul um rim de um doador brasileiro ao que pagaram 6.000 dólares pelo seu órgão, disse durante a conferência Francis Delmonicom, da Escola de Medicina de Harvard.

Alguns especialistas advogam pela criação de um mercado regulado para os órgãos humanos, uma proposta que vários palestrantes da conferência rejeitaram por considerar que carece de ética, dado que transformaria às partes do corpo humano em um bem comerciável.

“Uma vez que se introduz um modelo mercantil, não há lugar para um modelo de doação”, disse Bert Vanderhaegen, especialista em Ética do Hospital Universitário de Ghent, na Bélgica.

“Se os rins têm um valor (monetário), todos os órgãos têm de ter um valor. Mas ninguém pode vender seu coração”, concluiu Vanderhaegen.

Por outro lado, essa pretensão foi avaliada como perigosa, porque levaria às pessoas a não doar mais seus órgãos. Além disso, o “Tráfico de Órgãos”, é uma ação do crime organizado, destinada a fornecer de órgãos aos ricos conseguindo-os das pessoas pobres. Um negócio de vida ou morte. Máfias e particulares chegam em oferecê-los inclusive por Internet. O tráfico de órgãos não tem fronteiras nem limites.

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